Recentemente
tivemos a notícia que alguns de nossos governantes, aqueles eleitos para nos
representar e zelar por nós, se manifestaram contrária a tecnologia nacional,
com a assinatura de acordos com empresas estrangeiras. Tal medida vem se
tornando cada vez mais comum e pode até passar desapercebida sob o olhar da
sociedade e até dos “mais entendidos”. Entretanto, a comunidade de software
livre mostrou-se bastante decepcionada com tais medidas. Um acordo por si só,
ainda sem apresentação para o povo de suas premissas e propósitos reais, de
forma transparente, já é algo que gera medo, incerteza e dúvida. Sugere-se que
em um acordo entre duas partes, ambas se beneficiarão igualmente, logo, acordos
não são maléficos por natureza. O que causa estranheza é ele partir de estados
tão popularmente conhecidos por suas inovações e projetos relacionados com o software
livre. Isto causou o mal-estar que me refiro.
Nossos
governos deveriam (e este é o papel deles), zelar por sua população, cuidar de
seu povo. Inovações nacionais e projetos que nasceram ou foram desenvolvidos
aqui não poderiam simplesmente serem jogados para escanteio, em detrimento de
acordos com multinacionais. Não cabe nem mencionar governos, nem as empresas
envolvidas, uma vez que não são poucos tais acordos que vem pipocando aqui e
ali. Nós da comunidade, vez ou outra, já nos sentimos deslocados quando fazemos
uso de uma tecnologia que nem todos a utilizam. Não ter apoio nem dos que
deveriam nos representar, ainda, é algo que entristece e nos faz refletir em
até que ponto tal “cuidado e zelo” está realmente sendo realizado. Não são colocadas
em xeque aqui apenas as responsabilidades de nossos governantes, mas também sua
preocupação com a inovação, genialidade nacional e independência tecnológica.
Vale ressaltar que não basta termos uma massa de usuários interessados em
mudar. É necessário vontade, e algumas vezes, política. Que tal pensarmos um
pouco sobre isso?


